Blog de Tarô | O Livre Pensar sobre Tarô Adivinhatório

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Um pouco sobre Metodologia

homem-vitruvianoimagem: fkozu

Viajante, uma parte muito importante para todo aquele que estuda e pratica o Tarô são os Métodos. Mas poucos buscadores e estudantes dão a devida atenção, ou quase nenhuma, a esta via tão fundamental do estudo, possuidora de um peso idêntico ao da Tarologia e da Taromancia: A Metodologia, o estudo de sua construção e aplicação.

Não se deveria utilizar um método como se o mesmo possuísse disposições aleatórias, sem um princípio condutor, e ficar a inventar “jogadinhas”, distorcendo estruturas ou inventando sistemas sem um mínimo conhecimento ou pudor básico de causa e aplicação. O Tarô por ser livre e libertador não significa que seja anárquico e libertino, desprovido de fundamento e comprometimento. ATENÇÃO!

Será que um método com pomposo nome místico, disposto numa forma “geométrica exoterística” pode ser criado assim a deriva? Até pode, mas não tanto. Pois até onde o mesmo será funcional e prático? Ou pior, rearranjos onde alteram-se a disposição e valores (denominação) das casas de um método tradicional trará mais eficácia aos atendimento? Às vezes acontecem casos de desrespeito por mero desconhecimento ou vaidade, divulgados a esmo! Mas não há grandes segredos… (?)

Não sou contra a criação de métodos pessoais, (também já criei alguns) desde que respeitem e conheçam certos valores quanto a sua finalidade, ou seja, se minimamente possuam alguma base da sua forma geométrica na disposição das cartas - Estrutura - e a nominação das casas - Sistema ou ritmo de Leitura - a direção adequada e nominações que não sejam contraditórias e dúbias em si na mesma casa!

Os ritmos seguem uma forma geométrica no traçado disposto que por sua vez “caminham“ numa certa direção. Em métodos circulares e triangulares, por exemplo, é importante atentar se o ritmo vai no sentido horário - Presente-Futuro, ou anti-horário - Presente-Passado.

A parte superior do raio do círculo ou do ápice do triangulo, revelam o presente-futuro: desconhecido, o ativo, as projeções. Como o raio inferior do círculo e o ápice para baixo do triangulo será o conhecido: o consciente, o passivo, o presente-passado.

Um detalhe dos métodos circulares é que quando estes possuem uma casa ou ponto central, nos trarão qualidades de temporalidade, ativos com o presente manifesto e o futuro próximo. Quando forem sem um ponto central, terão qualidades ocultas de passividade, atemporais, revelando situações de passado ou futuro longínquo.

Métodos com estruturas em forma circular não são indicados para perguntas objetivas ou situações determinativas. Eles possuem casas com valores fixos para todas áreas da vida do consulente e são métodos que usamos quando o consulente quer “ver” a quantas andam sua vida no momento, sem fazer perguntas diretas até então.

Mandala - CircularMétodos com formas triangulares são bem indicados para conselhos ou situações específicas de análise para um determinado plano da vida (material, mental, sentimental ou espiritual) e não indicados para questões objetivas, apenas para situações. Métodos triangulares evocam formas similares como estrelas e pirâmides.

Métodos com ritmos em forma de quadrado (quaternário) ou cruz (binário) simbolizam choques dos opostos - ativos x passivos – onde tudo que estiver na parte superior é conhecido, presente, claro e consciente e o que ficar na parte inferior é desconhecido, inconsciente, futuro.

Método em cruz tem o ritmo da reta no seu eixo horizontal, indicando situação presente, é passivo e inalterável. O Eixo vertical, o que pode ser alterável, futuro e ativo será o como andará aquilo que foi questionado até sua conclusão. O ponto central de uma cruz indica a força, o desejo, o equilíbrio, a união dos fatos que pode se traduzir no que aguarda o consulente. Ou o que o mesmo fará perante os resultados do perguntado, sua postura.

Métodos em cruz são muito bem indicados para perguntas de quaisquer naturezas, pois analisam todos os elementos que possam vir a envolver questões objetivas e práticas num dado momento do consulente. Contendo os prós e os contras de uma situação, traduzindo uma orientação ou mesmo uma solução.

Métodos quadrados não são indicado para questões objetivas, pois trazem em si denominações específicas nos valores de suas casas oraculares. São para análises práticas e dinâmicas, tomando por base as condições terrestres, dando mote para questões opostas e separadas. Existem quadrados ocultos em métodos circulares, indicando novas perspectivas de orientação, igualmente temos cruzes e triângulos.

Deus medindo o mundo com o compasso, ca. 1250, Bible Moralisée - Geometria Divina

Viajante, creio que se você que já alça vôos construindo seus métodos pessoais (tão em voga), deve fazer sim e sempre que achar necessário! Porém, analise e pesquise com carinho, testando bastante, antes de passar para frente. Evite pontuar ao bel-prazer, alterando os valores e ritmos de leitura das casas.

Alguns métodos dão certo para seus criadores, pois estes acessam camadas da sua memória ancestral que esses não compreendem ao ler o Tarô. Desenvolvem na prática um método que decodificará sua expressão intuitiva, tornando “fácil” para este mapear o avaliado, que contudo pode não ser válido ou aplicável a outrem.

Mesmo as tiragens ”simples” que se baseiam na reta horizontal seguem um padrão. Da esquerda para direita, do passivo para o ativo, do passado ao futuro de uma questão, assumindo uma direção gradativa e evolutiva. De certo modo servem para aspectos gerais de análise, previsão e orientação.

Estude e aplique métodos consagrados pela sua estrutura, não apenas por se tratar de tradicional, pois estes mesmos seguem uma diretriz que se norteia na Geometria Divina, que ainda é uma vaca sagrada no meio tarológico do esoterismo urbano de consumo, resguardada por sete chaves…

O que der certo para você em seus atendimentos certamente será o melhor, independente dos ocultistas, hereges emergentes, místicos de plantão e suas mentes, voltadas para o século XIX em pleno Twenty-One Century!

Todo conhecimento só é válido quando compartilhado! Faz quem pode, segue quem quer.

Fonte de pesquisa: Estudos Completos do Tarô, Vol. II - Tarô Vida e Destino de Nei Naiff. Ed. Elevação, Edição de 2001 (esgotado).


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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Pendurado

O Penduradoimagem: Le Tarot des Imagiers du Moyen-Âge - Oswald Wirth - Editions de L'aigle

Viajante, há na estrutura dos Arcanos Maiores algumas cartas que são encaradas como sombrias, desafiadoras, ruins... O Arcano XIIO Pendurado, também equivocadamente conhecido como Enforcado (?), é uma destas cartas que, ao surgirem numa tiragem, serve como alerta. Os atributos básicos do Pendurado nos relatam utopia, impossibilidade, dificuldade em longo prazo, vitimísmo... amargura, egoísmo, negativismo, paralisia, entre tantos outros. Aquele que estivesse vivendo um Pendurado num relacionamento, por exemplo, estaria sofrendo pela dependência afetiva do parceiro, ou na expectativa que alguém entrasse em sua vida amorosa e o fizesse feliz...

Alguém vem a uma consulta temendo uma separação, por exemplo. O nosso “olhar clínico” antes de virar as cartas já daria um indicativo de que as coisas não andam bem. O Arcano XII saindo como resultado aponta que esta separação não vai acontecer! Notaram? De certa forma, dentro da situação, o Pendurado se torna bom para os anseios do consulente... Geralmente fechamos com um conselho “Não há separação no momento, mas você tem que mudar algo no seu jeito, se deseja continuar investindo na relação”. Quem está vivenciando tal experiência não leva em conta o que o outro está pensando e se haverá futuro promissor na relação.

São sutis estes detalhes para o consulente, que não aceita a situação e aquilo o que pensa e sente o outro. Nem mesmo que esteja vivendo uma situação equivocada. A beleza que entendo no Tarô, no entanto é que por mais sombria que seja uma situação, ele tem e fornece uma saída. E que esta depende muito mais do consulente, às vezes, reconhecer que seria hora de largar o osso. Um Pendurado aceitaria de bom grado assim tal conselho ou presságio?

Conto de Fadas

O taromante é procurado quando algo está “fechado”, a vida ou o consulente, mas no exemplo acima, como resultado, certamente trará o consolo momentâneo de que a relação não irá definitivamente se romper, mesmo que já esteja na UTI e que não se traduza em médio prazo em felicidade (nem a longo). Aceitem uns ou não, o Pendurado é a dor da ilusão. Em muitos casos reside aí a maior dificuldade de mostrarmos ao consulente que tal momento necessita de mudanças de rumos, mais amplos que suas vaidades de momento.

Muito delicado quando alguém não aceita que tem de mudar, mudar e mudar… É dito que o pior cego é aquele que não quer ver, mas o que dizer do cego que só vê sua vaidade? Não é confortável no plano material, mental ou sentimental viver um Pendurado. Em estudos dizemos que não assim tão ruim no plano espiritual, pois reporta a resignação e fé, mas esta tão alardeada é outra ilusão que não se traduz em transcendência. Seria mais um comportamento do tipo orando muito e fazendo promessas”, para que o Ser Cósmico ou São Longuinho traga de volta o amor, o trabalho ou a saúde perdida.

O bom de nos aproximarmos de meios transcendentes evolutivos - mesmo querendo barganhar com o destino - é que não estaremos nos comprometendo com forças caídas e sombrias, mas há controvérsias que não entrarei no mérito neste artigo. De certo modo, temos o que criamos. A dor que faz parte da vida, só é sofrimento quando optamos em alimentar nossa utopia, confundindo sacrifício com o suplicio de pensar que tanta resignação trará a desejada recompensa.

Prisioneira

Enquanto dependermos do outro, do externo para nos fazer feliz, seremos sempre um Pendurado no patíbulo da vida.


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domingo, 10 de janeiro de 2010

A Roda da Fortuna

 imagem: "Divided York e Lancaster," Painel de exposição descrevendo a história da Guerra das Rosas. Adaptado de Entretenimento e Ritual 600-1600, Peter A. Bucknell (Londres, Stainer & Bell, Ltd., 1979).

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

Trecho inicial de “Roda Viva” de Chico Buarque.

Viajante, o Arcano X - A Roda da Fortuna - vem nos falar das mudanças naturais, leves e necessárias em nossa jornada. Na estrutura do Tarô é a primeira carta que alerta para tais mudanças, instabilidades, alterações, mas com um dedo da Providência Cósmica. Seu termo Fortuna é ligado a deusa romana da sorte (boa ou má), da esperança. Corresponde a divindade grega Tyche e não se refere a questões de riquezas materiais ou dinheiro.

Não são assim mudanças trágicas, os presságio do Tarô não tem este tom de fatíloquo, como ainda habita o imaginário popular, mas inevitáveis. E a Roda da Fortuna que gira vem demonstrar bem o que todos nós já percebemos de um jeito ou de outro: nada se mantem no seu apogeu, seja nas baixas ou nas altas… Mudança faz parte da vida, pois é uma Lei Universal. Por mais que a nossa zona de conforto(comodismo ou vaidade) deseje diferente, o resultado não será exatamente o desejado, podemos ter caminhos diferentes do almejado, mas nunca negativo.

A Roda da Fortuna Imagem: 1JJ Swiss Tarot Cards – AGM AGMüller

Tudo é passageiro como efêmero e transitório, depende da evolução de cada um aceitar estas mudanças sem resistência, mas com sabedoria. E por vezes o melhor é  não querer nem saber o porquê mudou. No mais são tão rápidas que mal teremos tempo para choramingar o leite derramado, pois estas mudanças nos lançam a outras direções, que podem ser melhores daquelas que estávamos projetando em nosso livre arbítrio. No pior do pior estaremos trocando apenas seis por meia dúzia, como dizia minha amada Avó Materna, mas nada sombrio ou catastrófico.

De momento me ocorrem exemplos de certos fatos trágicos, como queda de aeronaves, onde algum passageiro acaba não embarcando devido a uma mudança da Roda em sua Fortuna. Um pneu que fura a caminho do aeroporto; a troca de um sobrenome na passagem, que não condiz com o da identidade e impossibilitou seu embarque naquele vôo... Eu particularmente vejo a ação da Fortuna. Creio que o Viajante que me lê agora deve ter suas  lembrança de causos assim…

La Roue de la Fortune. Calque de miniatures de l’Hortus deliciarum de Herrade de Landsberg (XIIe s.)

A Roda da Fortuna altera sem nos avisar, mas discernindo posteriormente, percebo como um aviso (e alívio!) de que certos desejos ou designíos não nos pertenciam no dito momento, não seriam para o nosso melhor. Por mais pessimista que um ser humano seja, pense: O Universo conspira a nosso favor e a Roda é uma mão na roda para todo aquele que deseja realmente cumprir algo edificante sobre a face da Terra. Mas alerto que a conspiração sempre será em consonância com o que desejamos, pensamos, falamos e fazemos, pois outra Lei imutável é da causa e efeito! O Universo não possui discernimento, apenas ação em sintonia com nossas vibrações!


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dia de Reis

Crown by Shutterstock imagens:Shutterstock

Viajante, o ano de 2010 caminha em passos lentos(?), para 2011. Nas efemérides (bonita palavra, não?) do calendário nos é lembrado que 6 de janeiro é dia de Reis. Onde cristãos pela tradição desmontam suas árvores natalinas e guardam seus enfeites e a balança cruel aponta em graduações perversas os excessos das festas recentes.

Em se falando de Reis, encontramos nos Arcanos Menores do Tarô as Cartas ou Figuras da Corte, foco da minha divagação ociosa do momento, tendo como base os conjuntos Clássicos/Tradicionais:

Conceituamos que os Reis são as forças ativas e reprodutoras. Sentados em seus tronos que aludem poder pessoal com vestimentas luxuosas, trazem na mão direita ornamentos do naipe que respectivamente representam: moeda, espada, taça e bastão.

Reis1

imagens: Marseilles Fournier Tarot Decks

Reis2

Os Reis representam condição de mando, autoridade e controle. Possuem a posição de domínio total e ativo por excelência. Preponderante e estabelecido sobre os demais. É a energia masculina de poder, realização, produtividade, virilidade, autoridade incontestável, o patriarca provedor e mantenedor.

Quando surgem numa jogada representam geralmente pessoas na vida do consulente - dependerá muito da questão analisada e do método empregado pelo taromante em sua escola de tiragem - podendo ainda reportar apenas a situações. Em alguns casos com tiragens simultâneas (um Maior + um Menor), usa-se, segundo algumas convenções, analisar a personalidade dos envolvidos. Os Reis também são vistos como pessoas mais velhas que o consulente, quando analisados como personalidades.

Os Reis do Tarô Menor não são os Reis Magos do mito natalino, porém em qualquer data podem surgir na vida do(a) consulente trazendo suas ofertas de realização, vitória, felicidade e equilíbrio.


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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Abra novas janelas

Viajantes, peregrinos e buscadores do Blog de Tarô:

Festaimagem: Clementine

Tudo o que queremos em alguns momentos é cobrir a cabeça e dormir, sem pensar em nada, fingindo que nada acontece lá fora. Temos vontade de nos acomodar, de nos trancar no quarto com tudo que nos faz cúmplices do negativo, desperdiçando os próprios talentos e impedindo o crescimento dos outros; fugindo da própria vida.

Pode até ser que você tenha motivos de sobra para se sentir assim. Talvez seja a decepção com alguém, a mentira que contaram, a perda de alguém ou de alguma coi­sa, a violência, a solidão ou um problema na família.

Pra que lutar se tem gente que não está nem aí para à vida e vive do mesmo jei­to. Porém, o desafio está aí para ser enfrentado. Na vida, tudo acontece de forma ma­gistral, com múltiplas possibilidades de interpretação.

Há um modo terapêutico de olhar a vida: mudar o foco, o alvo, a reação, escolhen­do o jeito que faz mais sentido. Esse é o caminho excelente; não desistir, escolher o amor. O amor é a avenida que nos leva a superar barreiras para podermos de novo saborear a arte de viver.

Abra novas janelas. Lá fora está a vida, que nos chama a cada minuto para nos desafiar a nos superarmos, a ampliar o lugar onde estamos, a abrir as cortinas e dei­xar a luz do Sol entrar. Então você transbordará em seu interior e poderá, mais uma vez, recomeçar com renovada alegria. (Extraído de No jardim do pensador, de Silas Barbosa Dias, Ed. Cultrix)

Até 2010!


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