Antiga Ordem Adivinhatória


A história sempre foi escrita pelos vencedores, aqueles que ficaram no domínio e ainda o detêm. Fragmentos confusos e dispersos de informação que passaram pela peneira religiosa e política me instigam a curiosidade e a imaginação. Como de Simão o Mago, os Cátaros, os Albigenses, tantos outros hereges, os evangelhos apócrifos e por aí vai.

Em nosso meio os micos mitos aos nossos olhos de escamas new age, do que Court de Gebelin e sucessores formataram como origem da arqueologia místico-esotérica do nosso bom Tarô. Compreendo a importância desses verdadeiros patronos do Tarô: Gebelin, Etteilla, Levi, Mathers, Papus, para o Tarô ser o que é nos dias atuais. Ainda somo tardiamente Waite.

Durante a Idade Média, várias sociedades "semi-secretas" foram formadas como uma espécie de Liga de Ofícios, cujos membros eram limitados a um ofício em particular.
 
Em resumo neste período havia o pedreiro bruto (rough mason) que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento, e o pedreiro livre (free mason) que detinha o segredo de polir a pedra bruta e erigir construções. Pesquisadores e estudiosos apontam através desse último grupo o surgimento da maçonaria moderna, com reminiscências de ordens templárias e similares.

É notória a misoginia esotérica que imperou até Helena Petrovna Blavatsky. Sem contar o fato de não haver religiões de vulto mundial tendo por avatar central uma mulher (salvo o arquetípico feminino no Paganismo da Grande Mãe) até os dias atuais, como antes também não houve sociedades secretas até a 2ª metade dos 1800, criadas por elas. (Será mesmo?)

Na Europa surgiram associações de fabricantes de cartas. Na França – Cartiers – e em seus estatutos, surge o termo Tarotiers (1594). Homens que sobre um rigor fiscal tinham suas licenças aprovadas e controladas pelos governantes feudais de então para desenhar, produzir e comercializar “Cartas” para fins lúdicos.

Também surgiam (não sei se nesta ordem) sem chamar muito a atenção, algumas que utilizavam para fins de adivinhação.
 
Há notícias de alguma ordem ou fraternidade que detinham o conhecimento e uso das Cartas como fonte de poder ou conhecimento secreto? Ou mesmo adivinhatório que fosse? Penso que não nos moldes da época e nem posteriormente até o surgimento da Hermetic Order of the Golden Dawn (1888).

Bem, tudo isto para chegar a uma constatação simples: houve sim (!) uma ordem não postulada em manifestos, monografias ou grimórios. Invisível ordem sem grão-mestres ou hierofantes, mas atuante. Que pela mais antiga das postulações “herméticas e ocultistas das tradições iniciáticas” se manteve ativa e silenciosa.

Composta em seu início por "seres sem alma, cidadãos de 2ª ou 3ª classe, ignorantes, supersticiosas e vulgares: As Mulheres!"


Que passavam de boca-ouvido às filhas, netas, sobrinhas, vizinhas ou amigas os segredos da adivinhação pelas Cartas. Não se sabe bem porque os "místicos machos - poderosos conjuradores de demônios" e “sapientes cabalistas” tiveram suas atenções voltadas àquela arte tão desprezada e menor entre todos os oráculos pesquisados, estudados e catalogados desde o Renascimento. Algumas raríssimas linhas foram escritas antes dos 1800, especulando sua via oracular.

Como as informações sem o devido crédito e atenção do meio erudito-esotérico a Guillaume de Postel (1510-1581) ao comentar em sua obra “Clavis Absconditorium a Constitutione Mundi” sobre alguns símbolos do Tarô e referências aos naipes dos Trunfos (Arcanos Menores); aos quatro planos do universo humano; terra-ar-água-fogo; e que esses mesmos naipes teriam também estreita ligação com as quatro letras (hebráicas) cabalísticas: 
 

É de 1540, a primeira publicação de que se tem notícia sobre o uso das Cartas para adivinhação: “Le sorti di Francesco Marcolini da Forli”, em Veneza, Itália por Francesco Marcolini. Pergunto-me: onde e com quem o Francesco foi buscar as informações para sua obra? Só tateio uma possível resposta por hora: com as cartomantes contemporâneas, ou quem sabe com algumas Mulheres da família ou da vizinhança... 
 
Curiosidades, ócio e devaneios…



Comentários

  1. Você sempre me surpreende, Arierom! Ótimo texto! Parabéns!

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  2. Vera Chrystina,
    que bom querida! Obrigado pelo prestígio!!

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