Falas do Tarô

 
A quem me procura:
Estou harmonizado, ligado com a Fonte Primordial de plenitude e transbordamento através de imagens renascentistas, enigmáticas e mundanas, apesar de toda variação que me fazem a mais de cem anos. 
 
Sou a todo e qualquer momento, quando procurado, causa, efeito e principalmente meio, se utilizado com comprometimento. Tenhas tu em mim um canal com possibilidades de nutrir-te. Nutrindo tudo da tua alma, que me vem angustiada e solicita: “Amigo, revela-me”! Vou muito além do normal, volto à origem primeira como fagulha, constantemente em contato com outras centelhas, digo a ti: faz parte da vida colher o que semeias de bom e de ruim, mas dou-te alguns conselhos:

Ouças ao teu espírito e não às quimeras da tua ilusão. Diferencie teus devaneios do que é tua missão em manifestação. Se não sabes a que viestes, desejais saber ao menos até onde deveis ir ou não? Se podes chegar? Digo-te quando sim, quando talvez e quando não. Queres evitar a tantas tormentas? Autoconhecimento é boa solução.

Sou parte do Todo e de tudo que é natural a ti, caro viajante consulente. Se reconheceres e se identificares como tal, nem mais nem menos, nem melhor nem pior, haverás então de colheres durante nalgum tormento, um bálsamo em minhas sentenças, para tuas inquietações d’algum momento.

Não depende de mim, que sou apenas setas de possíveis caminhos, pois quem caminha é tu... mas o “como” caminhar, advirto e pressagio, apontando onde poderás chegar. Mas não sou eu que faço a vida ser tal e qual. Apenas passo meus sortilégios, o resto é por conta das tuas pernas que governas a bel prazer, às vezes com pouquíssimos e raros méritos.

Estou estruturado num estado de contato equilibrado com a própria alma e espírito, corpo e mente de quem me opera, para tu que me consultas. Sou no micro toda a potencialidade do macro. E entendas, és parte de algo Superior. Fazeis o teu melhor a cada dia, segundo tuas possibilidades e vocações, evites apego e resistência, e cumprirás bem o teu papel neste teatro breve a que entendes por existência.

Sou uma dádiva, um caminho, uma busca desperta e consciente do teu inconsciente, se ousares ouvir-me como ousas procurar-me.

Sou aquilo que na impermanência do teu dia-a-dia, onde reside todo movimento da única coisa Permanente que habita a ti, um espelho em 22 imagens renascentistas, enigmáticas e tão mundanas como tu, óh viajante, que também és do Mundo. Sou o reflexo do que me perguntas e por vezes evitas mirar em ti mesmo. Uma pena quando é assim, não ver a ti através de mim. E me ponho a perguntar: Por que vens me procurar?

Sou uma dádiva, um caminho, uma busca desperta e consciente do teu inconsciente. Se te calas, silencio-me, se me ignoras também de nada sei. Para o bem ou para o mal não sou eu que matizo a tela da tua evolução, mas dela posso ser parte se me ouvires com discernimento e com o coração.

A quem me manipula, serei mais breve:
Sou benção se manipulado com comprometimento para vós mesmos, que me utilizais como ganha pão. Não me importando ser amoedado ao vosso semelhante, caros taromantes viajantes. Só vos peço não afligir aos vossos irmãos e irmãs aquilo que jamais afligirias para vós mesmos. Não fazeis de mim o fermento para o pão do embuste, nem o vinho que embriaga com o veneno da enganação. Não participo dos processos de involução. Não façais de mim a muleta das vossas imperfeições de conduta. Vós passareis, eu ainda não.


Useis sempre que de mim quiserdes e precisardes, só não abuseis naquilo que não posso vos dizer e muito menos daquilo que não vos revelei. E não fazeis de mim aquilo que não vim a ser, pois vós caros viajantes taromantes, sabeis muito bem até onde posso abranger. Se não sabeis é mais do que tempo e sábio buscardes saber.

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