Breve teoria sobre mancias

Pitonisa de Delfos

Viajante, é suposta a inerência de que o homem, desde sua origem, sente a necessidade de saber como será o seu dia. Vai chover? Fará frio ou calor? Observando a natureza ao seu redor, a cor do pôr do sol, notou o ciclo das estações e o que cada uma trazia ou levava em si.

Aprendeu a contar o tempo pelas fases lunares. O sol que todo dia nascia do mesmo lado, traçava sua trajetória e se escondia. O movimento das estrelas, as sucessões dos dias e as variações do clima de sua região. Assimilou os desdobramentos da Mãe Natureza em quatro comportamentos distintos e que dependendo do lugar, era bem acentuada e em outros nem tanto, e ainda que de tempos em tempos, ela se repetia.

Percebeu haver um período onde os animais silvestres tinham certos traços de comportamentos, como a época da subida dos peixes contra a correnteza. O que tornou menos difícil pescar. A direção do vôo dos pássaros, numa forma de predizer a vinda da época fria. E que depois das flores, em algumas plantas, teria frutos. 

E quando a fome apertou? Cavou o chão e descobriu na aparente vegetação seca tipos diferentes de raízes e que delas também poderia se alimentar. Que retirando as mesmas poderia estocar para o dia seguinte. Mais tarde, que “devolvendo” esta mesma raiz ao seio da terra ela renasceria. Era possível aumentar e cultivar, estocando e tendo mais e mais. 

Até trocou por outras coisas de suas necessidades com seu vizinho. Surgiu o escambo, avô do atual comércio. E a necessidade de comercializar proporcionou outro fato: as viagens por água e por terra, que por sua vez, um belo dia, fez surgir a tal cobiça em alguns, criando o saque e o furto. Originou disputas armadas que se traduziram em guerras. E assim em sua organização social surge a necessidade da defesa, que se traduziu em grupos aptos para tanto. A classe de soldados ou guerreiros se torna uma força sem a qual nenhum grupo poderia sobreviver. É assim até os dias atuais na figura dos exércitos. Um desnecessário mal necessário...

Esse homem notou que em tudo havia um ciclo de mutação e transformação. Que por padrão se repetia ciclo após ciclo, quase que infalivelmente. Mas esta vontade ou necessidade em sua evolução de saber e observar, que observando lhe possibilitou prever então, cada vez mais foi aprofundando. Discernida, era transmitida boca-ouvido de geração em geração. Desenvolveu isso tanto ao ponto que, pela assimilação, pôde ter as primeiras “ciências” surgidas da necessidade ou curiosidade deste mesmo observador.

Curadora
Também deste ponto, aquilo que se julgava saber, mas não compreender porque era daquele jeito, trouxe outro fato intrínseco ao ser humano: o oculto, o mistério, a adoração ao que podia estar além de si mesmo que era tão fantástico e mágico. Assim surge uma doutrina e dela sobressai os primeiros tons de religiosidade e insipientes dogmas ritualísticos e cerimoniais. Como o respeito (medo) e adoração às forças da natureza e seus elementos. 

O fogo que não podia se plantar, mas podia manter-se vivo se alimentado, fixou-se como o mais forte e misterioso dos elementos e símbolo divino de poder. Com ele se aquecia, preparavam-se melhor os alimentos, moldaria a cerâmica. Aprendeu a manipular alguns minerais, pois notou que abaixo da fogueira apagada certas pedras se transformavam em outros materiais. Assim desenvolveu e criou ferramentas para a vida e para a morte. 

Teria que haver mais por atrás daqueles fatos e possibilidades que fugiam da compreensão dos mais espertos ou sábios. Para se aprofundar, surge possivelmente outra corrente que chamamos hoje de esoterismo. Revelações para os preparados ou escolhidos. Ainda hoje alguns entendem que o conhecimento do plano espiritual ora está na religião ou no esoterismo, ou pensam que esoterismo é uma religião ou crença... Eu penso que um esotérico por ser em essência um livre buscador/pensador, certamente pode ser até um religioso... Como penso que um religioso atual dificilmente poderá ser um esotérico na prática. Mas isto lá são minhas pílulas doiradas de vãs conclusões místicas de largo ócio. 

A Astronomia antes de ser codificada surge como Astrologia. E para quê? Paralela possivelmente a outra necessidade do homem que foi se sociabilizando: a agricultura e pecuária pastoril. Uma coisa foi levando à outra, trazendo a evolução, surgimento de conhecimento, parcerias por assim dizer familiares em núcleos sociais cada vez maiores e distintos, como as tarefas e modo de empreendê-las e quem faria o que e quando.

Quando deixou de ser nômade e coletor, se reunindo em grupos maiores e se organizando por responsabilidades, fortalecia a segurança contra intempéries, animais selvagens ou grupos rivais. Descobriu que podia semear e plantar, colher e estocar para os dias mais difíceis do inverno ou de seca. Como descobriu que podia criar certos animais para sua alimentação e proteção, e companhia para esquentar suas noites de inverno. Mas algo o incomodava: tinha época que não dava certo e outra mais propícia para plantar e ter certos grãos ou frutos. Como antever? 

Mago-Chefe SEO

Penso que é bem por ai esta coisa que nos inquieta: querer saber o que vai acontecer, ou mesmo o que aconteceu. Confirmar algo que possa estar ocorrendo distante de si. Assim as mancias: meios e técnicas de se obter respostas do invisível ou desconhecido – e/ou oráculos: pessoas com dons de profetizar, “vendo” além do agora aquilo que está oculto para a maioria. Como a causa da doença do gado ou de um membro do clã e como curar.

Quando poderia ir à guerra contra um vizinho, de saber o que passou ou o que ainda se passará. “Divinações” surgiram e evoluíram como algo diferenciado e necessário para o grupo e a figura do xamã em muitas culturas estava além até daqueles que governavam ou possuíam bens materiais, quando não, o chefe possuía para si estas funções políticas e sacramentais. Estas práticas tiveram seu crescimento, apogeu e glória e declínio também. Umas permaneceram e foram se aprimorando, outras só temos poucas referências, e estão adormecidas no véu do tempo, citadas como mitos ou lenda pelos mais velhos. 

A cartomancia com baralho do Tarô, ou Taromancia, é das mancias a mais recente em comparação com outras em voga e uso. Tenho uma admiração pessoal enorme pela Astrologia como orientação, oráculo e autoconhecimento. Falta-me ainda tempo e cabedal para estudar, mas como “consulente” me encanta suas potencialidades e aplicações. 

Quem ainda não fez um mapa ou passou por uma “consulta astrológica” com profissional capacitado, talvez não faça conta de sua grandeza, nem de minha admiração pela Mãe de Todos os Oráculos e porque não Avó de todas as ciências. E quem não passou até por curiosidade ou não quis tirar a sorte nas cartas? Quem por mais convicto ou cético que seja com seu destino não desejou saber se a viagem correrá bem ou a compra da casa valerá o investimento? Arruma-se em breve o emprego? Ou se o filho ou a filha passará no vestibular? Ou até: “ele me ama”? “Vou casar com ele”? 

Céu de Outono

A você que tem me acompanhado, sempre friso que o melhor da previsão numa consulta está no poder que tem o Tarô em aconselhar. Independente da situação e caso. Se você está preparado para ouvir a resposta da sua pergunta, ir ao encontro ao seu sagrado. E por menos favorável que possa ser uma situação, se você seguirá os conselhos das cartas ou não... 

Ou mesmo nos mais benfazejos dos sortilégios, entende você que mesmo assim dependerá da sua postura alcançar e viver as tais alegrias? Que o Tarô aponta as possibilidades, mas não traça nem vive sua vida ou destino? Que só você é o responsável pelo que te acomete? Que seu temperamento traçará seu destino? Que sempre haverá uma saída? E de como costumo dizer: “Faz quem pode, segue quem quer...”

Xamã1
Boa Semana Viajante!

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