Tarô ou Tarot, ou...


Viajante, o universo - Tarô - possui termos e jargões peculiares, e muito destes termos não são dicionarizados, são usos e criações que foram se tornando comuns no meio exotérico nacional, oriundos das mais diversas áreas do conhecimento científico e esotérico. Tarologia e Taromancia são exemplos de neologismos tipicamente brasileiros.

A própria grafia é Tarô em nosso país. Tarot é usado em alguns países da Europa e outros de língua inglesa, francesa e espanhola. Sei que vivemos tempos de globalização, em nada custa passar este detalhe aparentemente sutil que no Brasil o correto é Tarô. Se tiverem dúvidas, pesquisem os termos nos dicionários de Língua Portuguesa.

O grande público em geral abstrai que tarólogo é todo aquele que lê cartas ou a sorte, ou que faz atendimentos com um baralho diferente. Muitas vezes dito como cartomante, que de certo modo não é de todo errado porque temos designações como Arcanos e Lâminas para as Cartas do Tarô, (alguns românticos dizem Trunfos) que não deixa de ser um baralho de cartas, ora bolas...

Uma coisinha que desaprovo, é o desdenho de uns e outros, que tentam definir uma separação preconceituosa e jocosa entre aqueles que lêem Tarô, Baralho Comum e Petit Lenormand - que tem sua escola brasileira no conhecido Baralho Cigano. Para mim todos são praticantes de sortilégios com cartas, nem melhores ou nem piores, mas a conduta desses praticantes é que faz a diferença, aliás, toda ela: Ética e Comprometimento. No mínimo, cada um no seu quadrado.

Um taromante é um tarólogo. Tarólogo é aquele que estuda o TarôTarologia o estudo do Tarô – quem estuda Tarô pesquisa sobre o tema, suas origens históricas, o simbolismo que as imagens agregam, as lendas e os mitos (neste ponto torço o nariz para algumas criações artísticas que, para o consumo capitalista, chegam às lojas do ramo e afins, pois estão desfigurando literalmente o Tarô que é Tarô). De forma que alguns estudiosos não são necessariamente taromantes, pois não utilizam as cartas para fins de sortilégios. 

Taromancia é fazer mancias, adivinhações ou presságios com as cartas de Tarô, e a taromancia é parte intrínseca da tarologia por este foco didático, pois sem estudo ninguém chegaria a praticar a “Arte” no aspecto mais secular e profano, onde ainda é o mais conhecido. Não há uma única forma de prática existente, visto que outras concepções emergentes como terapia e meditação estão sendo conceituadas. Há as doutrinas de algumas escolas ou ordens esotéricas que se utilizam com aspectos ritualísticos e/ou mágicos; ciclo de graduação de estudo onde as Lâminas do Tarô são degraus de evolução dentro de suas postulações para seus neófitos; e assim por diante.

O Tarô é eclético, libertário e libertador, aberto a todo aquele que o buscar estudar e praticar. Seja religioso ou ateu, cientista quântico ou vendedor de picolé, patrão ou empregado, novo ou velho, democrata, republicano, apolíticos... homem, mulher ou similares. Basta se envolver com seu instigante universo de possibilidades: todos são bem-vindos! 

Muito se divulga ser necessário ter intuição, vidência, mediunidade e outros poderes paranormais. De concorrer a uma iniciação mística onde será entregue “sua mão” ou “permissão de leitura”, com consagração do Tarô(t) que deve usar e guardar em lugar sacralizado, tipo altar, limpo e descarregado de energias astrais hostis depois de cada manipulação... Mas isto está posicionado no orbe da crença pessoal, jamais como indispensável ou necessário para ser Tarólogo/Taromante. Ou ainda necessário estar ligado a um determinado segmento filosófico-religioso ou escola de mistérios, se não em ambos, também não se faz mister! Que precisamos abrir nossos canais intuitivos logon/logoff senha na forma de mantra? Expandir a terceira visão... (ser iogue?) também não! Mas se alguém segue estas veredas, não vejo mal algum. Faz quem pode, segue quem quer... 

Intuição todos nós temos em maior ou menor escala, é uma propriedade natural do ser humano, seja ele esotérico ou não e a priori não é requisito para estudar ou praticar Tarô, mas em minha experiência pessoal, ela me foi aguçando a posteriori nesses anos de estudos e práticas de forma natural. Ainda não descobri a senha de acesso a ela, enquanto insights e achismos se misturam me perturbando o juízo, por vezes me deixam atordoado... Resolvo indo para o mental concreto: a indução e dedução que o cabedal de estudo e prática me possibilita. Foram espantosos alguns retornos de atendimentos onde a intuição que não passei se fez... delicado não ousar, hoje eu sei. Mas ainda me incomoda.

Energias ou forças psíquicas podem rondar o mais simples dos atendimentos e, no bom e velho jargão, forças astrais podem atuar causando algum desconforto e tensão. Como espiritualista e sensível, algumas vezes absorvo formas/pensamento, mas tenho minhas “ferramentas de proteção e limpeza” que uso antes, durante e depois de atendimentos. 

Creio que temos de usar de bom senso para não pender entre extremos de grande misticismo ou ceticismo, devemos harmonizar e equilibrar para nos ater ao que propomos realizar. Ou francamente procurar outra coisa. Mas ficar com lixos astrais de outrem, quem merece? Ou pior, despejar nossos entulhos energéticos no pobre do(a) consulente! 

Sei o quanto é complexo lidar com aspectos que tangem religião e religiosidade, espiritualismo e metafísica com os nossos dogmas pessoais e o Tarô, que cria egrégoras de acordo com as nossas energias de momento que, dependendo do nosso comprometimento, podem ser benéficas ou não no conjunto da obra. 

A transcendência que nos conduz pelo Tarô sem dúvidas passa pelo autoconhecimento, que entendo como a frase do Templo de Apolo em Delfos na Grécia: gnothi seauton “conhece-te a ti mesmo”.

Ainda preciso apresentar-me a mim, mas sem excessos… e você Viajante, se conhece?

Comentários

  1. hum... agora entendi o que é tarô.
    O tarólogo estuda o tarô, não necessariamente é um adivinhador, quem faz isso é a taromancia. Bem explicado.

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  2. @sequelanet,

    sim, simplificando ao máximo... mas mesmo para praticar a adivinhação que é uma das suas possibilidades de interação, se faz necessário o estudo.

    Abraços.

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  3. Oi Arieron,

    Brilhante a sua exposição sobre o Tarô e a terminologia apropriadamente bem utilizada hoje no Brasil nessa nossa área. Tais neologismos não custam a adentrar na lista de verbetes da língua portuguesa e, por isso, em nossos melhores dicionários.

    A forma como você se coloca, aqui, sobre a prática do Tarô é providencial e muito ao meu gosto, pois desmistifica e desmitifica os seus muitos aspectos que cairam a tempos na crendice popular e que são muito difícieis de seresm erradicados.

    Parabéns por esse seu texto! Digno de ser publicado também no Clube do Tarô.

    Sucesso e um grande abraço Reikiano, amigo!

    Ricardo Pereira
    Tarólogo, Historiador e Aprendiz :-)

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  4. @Ricardo

    será um salto significativo quando estes dois verbetes adentrarem aos dicionários da nossa língua, como foi a palavra tarô.

    E o patamar de excelência que o BT alcança com seu prestígio, caro amigo.

    Cada comentário, adesão de seguidores, aumenta meu comprometimento com os conteúdos futuros.

    Busco com minhas limitações expressar o que penso e sinto sobre o Tarô, com a responsabilidade moral e pretensão de colaborar de alguma forma para a queda das escamas dos olhos, que o "folclore equivocado" ainda obscurece para o entendimento de leigos e até praticantes.

    Sei que não sou dono de verdades, nem do muito que escrevo, pois pertence a uma didática revolucionária no meio tarológico brasileiro, e o fato de provocar a reflexão em quem lê, motiva e alavanca meus estudos e pesquisas. E a satisfação de continuar.

    Grato pela sua participação que sempre será bem vinda com regozijo. É um júbilo, sinta-se a vontade para expressar sua opinião, seja convergindo ou não, como é a de todos leitores do BT. Obrigado.

    Abraços Reikiados.

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  5. Olá. Achei muito bacana sua exposição do tema. Porque em diversos livros temos variações sobre o mesmo tema que mais mascaram que revelam algo a respeito da terminologia a ser utilizada. Parabéns.

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  6. Emanuel,

    sim eu também já senti isto em alguns autores.
    Minhas dúvidas e buscas é que foram me guiando a esta "didática e foco". Ainda estou caminhando, mas acho que é por aí...

    Abraços e obrigado!

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  7. Dentro da sua escrita atentei para o fato, e pouca importa o material utilizado ou o nome adotado, o que realmente importa é o "condutor".

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  8. Joselito (Jotabe),

    apenas reforçando meu agradecimento pela sutil observação comentada. Forte Abraço.

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  9. Eu não sei, posso estar errado, mas eu acredito que as pessoas costumam cometer o erro de pensar que a intuição, ou a capacidade de ver além, é uma coisa que deve ser alcançada por si mesma. Eu acredito que, se você quer acessar o Mental Abstrato, a Intuição, e o que mais for, ce tem que primeiro passar pelo Mental Concreto, transcender ele. Acho que esse é o jeito mais decente, pelo menos, rs.

    Esse texto é muito bom, parabéns :)

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  10. Leo,

    penso como você, no que podemos dizer na ordem das coisas, pois mesmo um entendimento de alguma literatura, ainda no tal Mental Concreto, passa por 3 ou 4 camadas de entendimento antes de seguir para o Abstrado, e conheço uma ou duas pessoas que dizem já estar indo para o Mental Angélico...

    Bem, como ainda estou no degrau do entendimento literal... minha Roda de Samsara ainda tem muito que rodar! #risos

    Abração!

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