Um pouco sobre Metodologia

homem-vitruviano
Viajante, uma parte muito importante para todo aquele que estuda e pratica o Tarô são os Métodos. Mas poucos buscadores e estudantes dão a devida atenção, ou quase nenhuma, a esta via tão fundamental do estudo, possuidora de um peso idêntico ao da Tarologia e da Taromancia: A Metodologia, o estudo de sua construção e aplicação.

Não se deveria utilizar um método como se o mesmo possuísse disposições aleatórias, sem um princípio condutor, e ficar a inventar “jogadinhas”, distorcendo estruturas ou inventando sistemas sem um mínimo conhecimento ou pudor básico de causa e aplicação. O Tarô por ser livre e libertador não significa que seja anárquico e libertino, desprovido de fundamento e comprometimento. ATENÇÃO!

Será que um método com pomposo nome místico, disposto numa forma “geométrica exoterística” pode ser criado assim a deriva? Até pode, mas não tanto. Pois até onde o mesmo será funcional e prático? Ou pior, rearranjos onde alteram-se a disposição e valores (denominação) das casas de um método tradicional trará mais eficácia aos atendimento? Às vezes acontecem casos de desrespeito por mero desconhecimento ou vaidade, divulgados a esmo! Mas não há grandes segredos… (?)

Não sou contra a criação de métodos pessoais, (também já criei alguns) desde que respeitem e conheçam certos valores quanto a sua finalidade, ou seja, se minimamente possuam alguma base da sua forma geométrica na disposição das cartas - Estrutura - e a nominação das casas - Sistema ou ritmo de Leitura - a direção adequada e nominações que não sejam contraditórias e dúbias em si na mesma casa!

Os ritmos seguem uma forma geométrica no traçado disposto que por sua vez “caminham“ numa certa direção. Em métodos circulares e triangulares, por exemplo, é importante atentar se o ritmo vai no sentido horário - Presente-Futuro, ou anti-horário - Presente-Passado.

A parte superior do raio do círculo ou do ápice do triangulo, revelam o presente-futuro: desconhecido, o ativo, as projeções. Como o raio inferior do círculo e o ápice para baixo do triangulo será o conhecido: o consciente, o passivo, o presente-passado.

Um detalhe dos métodos circulares é que quando estes possuem uma casa ou ponto central, nos trarão qualidades de temporalidade, ativos com o presente manifesto e o futuro próximo. Quando forem sem um ponto central, terão qualidades ocultas de passividade, atemporais, revelando situações de passado ou futuro longínquo.

Métodos com estruturas em forma circular não são indicados para perguntas objetivas ou situações determinativas. Eles possuem casas com valores fixos para todas áreas da vida do consulente e são métodos que usamos quando o consulente quer “ver” a quantas andam sua vida no momento, sem fazer perguntas diretas até então.

Mandala - Circular 
Métodos com formas triangulares são bem indicados para conselhos ou situações específicas de análise para um determinado plano da vida (material, mental, sentimental ou espiritual) e não indicados para questões objetivas, apenas para situações. Métodos triangulares evocam formas similares como estrelas e pirâmides.

Métodos com ritmos em forma de quadrado (quaternário) ou cruz (binário) simbolizam choques dos opostos - ativos x passivos – onde tudo que estiver na parte superior é conhecido, presente, claro e consciente e o que ficar na parte inferior é desconhecido, inconsciente, futuro.

Método em cruz tem o ritmo da reta no seu eixo horizontal, indicando situação presente, é passivo e inalterável. O Eixo vertical, o que pode ser alterável, futuro e ativo será o como andará aquilo que foi questionado até sua conclusão. O ponto central de uma cruz indica a força, o desejo, o equilíbrio, a união dos fatos que pode se traduzir no que aguarda o consulente. Ou o que o mesmo fará perante os resultados do perguntado, sua postura.

Métodos em cruz são muito bem indicados para perguntas de quaisquer naturezas, pois analisam todos os elementos que possam vir a envolver questões objetivas e práticas num dado momento do consulente. Contendo os prós e os contras de uma situação, traduzindo uma orientação ou mesmo uma solução.

Métodos quadrados não são indicado para questões objetivas, pois trazem em si denominações específicas nos valores de suas casas oraculares. São para análises práticas e dinâmicas, tomando por base as condições terrestres, dando mote para questões opostas e separadas. Existem quadrados ocultos em métodos circulares, indicando novas perspectivas de orientação, igualmente temos cruzes e triângulos.

Deus medindo o mundo com o compasso, ca. 1250, Bible Moralisée - Geometria Divina

Viajante, creio que se você que já alça vôos construindo seus métodos pessoais (tão em voga), deve fazer sim e sempre que achar necessário! Porém, analise e pesquise com carinho, testando bastante, antes de passar para frente. Evite pontuar ao bel-prazer, alterando os valores e ritmos de leitura das casas.

Alguns métodos dão certo para seus criadores, pois estes acessam camadas da sua memória ancestral que esses não compreendem ao ler o Tarô. Desenvolvem na prática um método que decodificará sua expressão intuitiva, tornando “fácil” para este mapear o avaliado, que contudo pode não ser válido ou aplicável a outrem.

Mesmo as tiragens ”simples” que se baseiam na reta horizontal seguem um padrão. Da esquerda para direita, do passivo para o ativo, do passado ao futuro de uma questão, assumindo uma direção gradativa e evolutiva. De certo modo servem para aspectos gerais de análise, previsão e orientação.

Estude e aplique métodos consagrados pela sua estrutura, não apenas por se tratar de tradicional, pois estes mesmos seguem uma diretriz que se norteia na Geometria Divina, que ainda é uma vaca sagrada no meio tarológico do esoterismo urbano de consumo, resguardada por sete chaves…

O que der certo para você em seus atendimentos certamente será o melhor, independente dos ocultistas, hereges emergentes, místicos de plantão e suas mentes, voltadas para o século XIX em pleno Twenty-One Century!
Todo conhecimento só é válido quando compartilhado! Faz quem pode, segue quem quer.

Fonte de pesquisa: Estudos Completos do Tarô, Vol. II - Tarô Vida e Destino de Nei Naiff. Ed. Elevação, Edição de 2001 (esgotado).


Comentários

  1. Maravilhosa explanação. Muito didática, informativa e reflexiva.

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  2. Emanuel,
    obrigado pelo comentário!

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  3. Olha eu aqui de novo! Sempre aprendo passeando por aqui :)

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