Ô Diabo lindo!

diabo

Viajante, que Diabo é este o do Tarô? A que ele se reporta num jogo? Para entender melhor que tal olhar para dentro de nós? Para aquela porção que teimamos em ocultar de nós mesmos e do resto do condomínio. Aquela parte de nossos desejos de ambição, luxúria, cobiça, com “alguns” pensamentos sem escrúpulos, e “uns” sentimentos que envolvem desejos carnais que não conseguimos aniquilar ou saciar, mas devemos controlar, ou o diabo leva a breca em algum momento.

O Arcano XV é reflexo dos nossos instintos que muitas vezes consideremos repugnante e vil para deixar exposto a luz do dia, mas na calada da noite, ficamos a brincar de esconde-esconde, pega-pega num constante quero não quero. O simples fato de não falarmos dele não significa que não o possuímos e que ele não exista… e seria ele assim tão feio?

O Diabo, um dos Arcanos mais complexos na estrutura simbólica do Tarô, é em si assustador como fascinante, pois reporta aquele lado profundo que costumamos querer ocultar de nós e dos vizinhos, mas que tem sua vaga em nossa alma manifestada na dualidade paradoxal de se transitar pela forma. O diacho é saber dominar para não ser dominado, precisamos conhecer tal potencialidade, ou viver na hipocrisia que o inferno são os outros.

Encontrado nas culturas de vários povos, com atributos de sagacidade, egoísmo, sedução, lasciva, corrupção, poder e domínio entre outros. Sua imagem andrógina é o baluarte da dor da ambição da vida. Seus atributos principais se reportam aos desejos, o possuir, o ser e ter a qualquer preço, sem se importar com os custos sociais e muito menos com as críticas.
Arcano XV
Tarot de Marseille - Jodorowsky/Camoin
Visto como “bom” num jogo que envolva questões materiais, onde se traduz como “êxito” sobre qualquer questão que envolva o ter e o conquistar. É apegado ao que domina, adora se divertir e exerce um fascínio assombroso com sua magnética personalidade. Aplica sua força e poder sem igual e amoral sobre outrem que subjugar, segundo seus interesses de momento. É extremamente orgulhoso e vaidoso.

Possuidor de inteligência e comunicação afinada no plano mental, detentor de capacidade criativa com sem números de perspicácias e ardis, se lança ao que desejar com determinação que beira a obsessão e não poupará esforços para obter seus intuitos, como se diz: Não tá nem aí para hora da voz do Brasil e segue como cavalo em parada cívica… Na esfera sentimental tem atributos de  desejo, ardor, ciúme doentio, paixão e sedução, impulsivo ao extremo, mas deveras egoísta e mesquinho. Ama sim, mas o prazer de satisfazer ao máximo seus instintos animalescos.

Detém muito poder astral e força magnética, porém é displicente quando se fala dele no plano espiritual, pois as prerrogativas benéficas estão afastadas devido à soberba com que as aplica, ou seja, possui poder mental e emocional de realizar, mas são mal direcionadas e canalizadas para fins nobres e elevados. Como diz o Prof. Hermógenes: “Grande número de pessoas que dão espetáculos de paranormalidade, nem sempre são criaturas admiráveis quanto à espiritualidade”.

Dizem que sua maior artimanha  foi a dizer ao homem que ele não existe. Com O Diabo, não devemos renegar sua essência, mas sábio será aquele que conhecer e entender esta energia em si mesmo, e não  ser guiado por ela, mas a ela dominar antes que a mesma o domine, pois ela é o extremo do nosso egoísmo, vaidade e orgulho quando manifestada sem controle.  Uma balança sempre será equilibrada quando nos seus pratos tiverem pesos equivalentes e conhecidos. Conheçamos então, o outro lado desta moeda, ou podemos viver escravos das nossas luxúrias.

diabinho na garrafa

Lembrar igualmente que nada será válido se teimamos em justificar nesta energia todas as mazelas do mundo, como igualmente todo o nosso mal proceder, dando assim uma explicação para as  indulgências do nosso ego persecutório e vitimista, quando somos pego com as calças na mão. 

“Do poder que escraviza todos os seres, livra-se o homem que se domina.” O seu capetinha está amarrado? Ou está livre, leve e solto Viajante?

Comentários

  1. Gostei dessa,bom, se e pra responder, o meu ta amarrado por ora, jejejeje.adorei os texto.

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  2. Olhe, adorei esse post Arierom. Realmente é uma figura muito peculiar, não é verdade? Agora eu te pergunto: qual arcano poderia estar do outro lada da balança para poder equilibrá-la quando de um lado temos esse diabo Feio?

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  3. Senhor da Vida,
    também prefiro ter o meu sobre controle rsrsrs...

    Flávio,
    a meu ver, precisamos conhecer bem este lado, o temos em maior ou menor escala algumas de suas nuanças.
    Não se trata de combater mas nos harmonizar sem renegar.
    Dependendo da sua intensidade de momento, pode ser qualquer Arcano de controle como a Força e o Imperador.
    Como tudo vai do momento e se o aceitamos, Arcanos que delimitam autoconhecimento, como o Eremita pode ser útil.
    Mas a grande dica está Nele mesmo e como ele se manifesta em nós.
    Somos um Tarô redivivo! Forte abraço!

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  4. Saudações,Arierom. Realmente,grande parte de nós,a humanidade,não reconhece que "figuraças" que somos,mesmo quando se olha diretamente num espelho!Lembra-me muito este arcano,e apenas neste sentido,com o XII.Então,pobre de "nós" se nos entregamos às nossas fraquezas tão fácil.Prendê-lo seria tão errado quanto deixá-lo solto,e,como bem sabes,grande amigo,o "diabo" é criatividade maravilhosa e extremamente necessária,portanto,antes que "ele" se manifeste livremente ou sob controle,muito boa ventura terão aqueles que tiverem assimilado o "recado" do Arcano que o precede,a Temperança.
    Um abraço à todos. 3.075rs.

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  5. Radi,
    esta energia é criativa, mas se solta, é excessiva, com se reprimida tende vir com a fúria de uma erupção vulcânica. Precisamos conhecer o Arcano XV que nos habita e dominar com a mesma sutileza e inteligência que a Dama domina o Leão no Arcano XI.
    Abraços e obrigado pela apreciação Amigo.

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