Um pouco de Smith-Waite

Pamela Colman Smith by Alphaeus Cole - 1906

Viajante, há algum tempo o querido amigo e tarólogo Rogério Novo, comentou comigo uma informação interessante: o Anraths Waite Tarot de Renate Anraths - Editora Urania. Trata-se de uma criação baseado nos traços do  conjunto desenhado por Pamela Colman Smith

A criação de Renate oferece uma novidade que a distingue do conjunto tradicional de Pamela, pois acrescenta nas Figuras da Corte mais oito cartas.  São lâminas com imagens femininas ou as contrapartes dos Pajens e Cavaleiros. No conjunto Cary-Yale VIsconti Tarocchi Deck encontramos também mais oito figuras - as “Meninas” (Pajens) e Senhora do Cavalo (Cavaleira).

Contrapartes Pajens e Cavaleiros  Visitem a página da Tarotwelten.

A riqueza da livre criação artística que se tem nos dias de hoje para confecção comercial de Tarôs é muito ampla. O Tarô de Pamela Smith - a primeira mulher que se tem notícia a desenhar um Tarô - é certamente o mais clonado pelo mundo afora, servindo para vários artistas gráficos como referência  imagética. Pamela trouxe para nossos dias algo que para muitos iniciantes sugere ser regra comum: as representações arquetípicas dos atributos principais nos Arcanos Numerados (Menores).

O Tarô desenhado por Pamela, mais conhecido como Rider–Waite, sendo Rider a editora inglesa e Waite - Arthur Edward Waite o “autor”. Este ocultista de origem estadunidense ocupou o mais alto posto hierárquico dentro da ordem inglesa Golden Dawn, entre 1903 e 1905.

Viajante, a bem da verdade Waite foi apenas diretor e patrocinador deste magnífico conjunto, não seu criador, como até pouco tempo se acreditava,  e realizou uma alteração marcante, que causa espanto aos novatos da Arte: trocou de posição dois Arcanos Maiores. Posicionou A Justiça com o número 11 e A Força com o número 8. Mas isto muda algo nas leituras profanas? Não!

Justiça X Força
Imagens - Justiça e Força: Fournier-Published Tarot de Marseille Força e Justiça: Rider-Waite  Smith-Waite – US Games

Waite engendrou no conjunto algo que julgava ser coerente dentro da sua visão doutrinária de seus dias de amanhecer dourado, quando a frente da Golden Dawn. Ao  “esboçar o seu Tarô”; os 22 Arcanos Maiores fariam relação com as 22 letras do alfabeto hebraico, e estas letras mágicas dentro dos 22 caminhos da “Árvore da Vida”.

Em suas observações cabalísticas, trocou as posições devido às associações com as letras hebraicas dentro do complexo “fluxograma” de caminhos da sua Árvore.  Outro sutil detalhe foi a forma curiosa como ele redefiniu a imagem cristã dos baralhos antigos de outros autores, substituindo os signos da carta do "Papa" por "Hierofante" e da "Papisa" por "Sacerdotisa", por exemplo.

Waite em seu livro The Key of the Tarot de 1910, atribuí valores mais coerentes aos Arcanos, que ainda servem de base ao que encontramos nos livros de autores atuais. Reformulou conceitos básicos dos atributos que hoje usamos no aspecto divinatório, com uma linguagem menos mística e mais mundana, mais profana e menos sagrada.
 

Em dezembro de 2009, comemorou-se o centenário de lançamento deste marcante conjunto, rebatizado, “com justeza, de Smith-Waite”. Confira Leonardo Chioda no seu Café Tarot: OS 100 ANOS DE RIDER-WAITE E AS JÓIAS DE PAMELA SMITH,  e o Descobrindo o Tarot de Leonardo Dias: Pamela Colman Smith Commemorative Set – Set comemorativo Pamela Colman Smith. Excelentes artigos! Bom domingo.

Comentários

  1. Nossa, que ideia genial, afinal, o bom vem em par nao e mesmo, otimo material, grande abraço!

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  2. @SenhordaVida,

    sim, e se entenda que não estão criando um novo Tarô.
    A estrutura tem que ser mantida, como entendida e preservada!
    Se não, nossa geração ou a próxima, poderá presenciar uma babel simbólica, repleta de tarolices e achomancias.

    Abraços do Ari.

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  3. Que Post Fantástico!
    Amigo ARIEROM:
    Embora eu não conheça muito a matéria, mas, pela sua extraordinária narrativa nos permite fazer uma verdadeira vigem a esse mundo de sabedoria retratada em tantas lâminas com designer mais lindo que outras, confesso, são impressionantes!
    Parabéns por nos presentear mais um lindo Post!
    Abraços,
    LISON.

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  4. @lysonn,

    obrigado! As criações em si são belíssimas, porém o excesso de liberdade que a livre produção artística se permite nos dias de hoje, está em alguns casos, degenerando a essência dos ornamentos tradicionais, fonte dos atributos divinatórios.

    Pessoalmente creio e defendo a liberdade de criação artística e muito mais os valores simbólicos que fizeram do Tarô o que ele é.
    Mas isto será matéria para futuros artigos, em ocasião oportuna.

    Forte abraço.

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  5. Também não sou conhecedor do assunto em questão. Mas não preciso para perceber sua habilidade em dissertação. Obrigado pela passagem no blog uniaodepalavras.blogspot.com
    Estarei vindo aqui mais vezes
    Um abraço

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  6. Badards,

    volte sim, e obrigado! Forte abraço.

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