Naipe de Copas: uma via de mão dupla

Ás e 10 de Copas

Viajante, dando continuidade aos Naipes dos Arcanos Menores, hoje vou falar um pouco sobre o Naipe de Copas, que tem correlação com o Elemento Água e sua estrutura demarca estreitamento com o Plano Sentimental. O estar é seu atributo marcante, traduzindo o universo íntimo onde nossa alma anseia expansão de sutilezas. Encontrar conforto e satisfação através de emoções que desejamos compartilhar com outro ser, sedimentando significações afetivas na via de mão dupla do dar e receber.

O Naipe de Copas relata os desejos e sonhos que nutrimos pelas sensações mais abstratas da nossa vida interior, que em alguma altura da vida, ao menos uma vez, queremos encontrar correspondência através do outro. Singrando pelo mundo exterior  na busca por conforto e alegria, pelo bem ou pelo mal, em meio a verdades e devaneios pessoais.

O Naipe de Copas trata intimamente daquilo que temos por verdadeiro, sem levar tanto em conta a realidade. Pois no cadinho da nossa alma, temos sentidos e sentimentos como paixão, atração física, que ainda são entendidos e confundidos com amor e suas nuances. Ora filosofais ora psicológicas, sem reconhecer fronteiras nem limitações.

Desenvolvo a receita de que quando o Naipe Copas se apresenta numa questão material do jogo, deve estar havendo alguns sonhos e promessas (que podem ou não se concretizar), e a numeração ou a corte dará indicações sobre aspectos positivos ou negativos.

Em questões do plano mental, o Naipe de Copas me dá uma dica de existir muita imaginação envolvendo os objetivos. Igualmente a numeração ou a corte me traduzirá o lado bom ou mal desses planejamentos. Naipe de Copas no plano espiritual me identifica uma busca de espiritualidade, e a numeração/corte me dará o estágio dessa procura.

Quando a questão é do plano sentimental, com o aparecimento do Naipe de Copas, temos o crème de la crème! Decodifico com mais facilidade como está o momento do consulente com requintes que chegam a causar admiração, mesmo quando o mesmo demonstra não estar tão preparado para alguns aspectos da vida amorosa. A vida é uma alquimia do bom e do ruim, do possível e do não-possível, do será que devo…  

amor-geek

Gostem alguns tarólogos ou não, são as questões sentimentais que mais os consulentes trazem para as consultas. Reconheço haver tanto por parte de consulentes como de alguns tarólogos, certa obsessão em caracterizar a felicidade na vida afetiva. Tentando fazer eco nos demais planos da existência, chegando a beirar exageros infundados... entendo que toda esta ansiedade é parte do humano de cada um, em maior ou menor escala, não importando de qual lado da mesa se está.

Penso que um jogo é um mapear do momento com algumas revelações que são partes de algo traçado pelo poder de escolha, como consequências dessas opções. Outras que não fariam parte do projeto de vida que o consultado deveria desenvolver, ao menos naquela fase.

Como não se precisa de comprovações de que o Tarô exista e que dê certo, igualmente não se necessita do oráculo para se viver uma vida. Porém, para quem desejar uma boa orientação de como fazer o seu melhor, o Tarô é uma excelente ferramenta de apoio, mas não deve ser usado como muleta. Nem ter com ele uma relação de dependência existencial.   

Tenho por hábito antes de abrir um jogo, perguntar se a pessoa está preparada para encarar o seu sagrado, e se está igualmente apta para ouvir as respostas das perguntas que fará. Não me cabe condenar em julgamentos o proceder moral ou emocional de outrem, e sim  de avaliar com as cartas o que me é perguntado e, dentro do labirinto que é a alma humana, apontar saídas para o momento. Mesmo quando isso representa algo que não é bem o que se desejava ouvir do velho baralho. Faz quem pode, segue quem quer...

Viajante, aprendemos ou vamos aprender com nossas vivências e necessidades afetivas? E quando estamos embevecidos pela paixão ou pela dor de não sermos correspondidos, como podemos pôr norteamento nos vácuos momentâneos que parecem ser uma eternidade entre cada dormir e despertar?

Como fica nossa autoestima quando somos preteridos por outras pessoas, situações e até objetos? Temos o amor que merecemos, precisamos e queremos?  Valorizamos o amor que temos e somos valorizados pelo amor que damos? “Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.” - Eclesiastes 1:2.

Como encontrar esta conexão e expansão em outra pessoa me parece ser um dos grandes mistérios do viver. Às vezes sugerido como fonte de dor e tormento, o amor pode ser assim uma ausência de medo ou de coragem ou de bom senso, diria vovó. Porém o dínamo dos nossos sofrimentos nasce na mesma fonte do nosso prazer: a mente! Teimamos que o amor seja o que idealizamos sobre ele, e o cruel passa a ser mesmo quando queremos que os fatos sejam tão de acordo com esses nossos devaneios.
haut-les-coeurs

Seria tão bom  e prático amar apenas com as conveniências da mente e tudo mais fosse de acordo com nossa vaidade e comodismo. Como cada um traduz e resume seu aprendizado neste plano de vida, creio que ruim não é viver sem amor, mas viver uma vida sem amar.
Imagem do Ás e 10 de Copas: Renaissance Tarot Deck de Brian Williams - U.S. Games

Comentários

  1. Realmente o naipe de copas é uma via de mao dupla, ate que ponto estamos sintonizados com o outro, nao so exigindo amor mas dando tambem, reconhecedo que devemos partilhar o pão.Boa semana!

    ResponderExcluir
  2. @Senhordavida,

    quando começamos a entender a teoria temos que pôr em prática para ter valor. O segredo para mim é não esperar retorno do doar.
    Mas tem hora que temos que nos superar para não cair nas cobranças.

    Obrigado pelo comentário, e vamos em frente!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Viajante,

sugestões e críticas são bem-vindas.
Concorde ou discorde, jamais ofenda.
Leia antes nossa Política de Comentários.


Deixe registrado aqui o seu melhor!

Ahlan wa Sahlan!!