Esoterismo, Religião e Tarô

 
tirinha de Carlos Ruas em Um Sábado Qualquer

Viajante, há para alguns um ponto onde essas referências se misturam como se fossem uma coisa só, desembocando no misticismo. Tornou-se comum em anúncios de prestação de serviços esotéricos encontrarmos estas referências cruzadas no pacote. Basta conferir em classificados de jornais e revistas, quando não em postes, panfletagens de rua e abrigos de paradas de ônibus. 

“Religião é para prestar culto a uma Divindade. Esoterismo é o nome genérico que designa um conjunto de tradições e interpretações filosóficas das doutrinas e religiões que buscam desvendar seu sentido supostamente oculto”. Tarô é uma ferramenta oracular para previsão, orientação e aconselhamento, em essência, faz parte de alguns conhecimentos esotéricos na atualidade e não pertence a nenhuma religião ou escola iniciática de mistérios.

O internético aficionado, encontrará anúncios AdSenses & AdWords de toda monta ao entrar em alguns blogs e sites esotéricos, até nas páginas de busca do Google, Yahoo e Bing.  Pesquise o termo "esoterismo", por exemplo, e encontrará alguns anúncios no topo das sugestões e na lateral da página, indicando serviços de místicos, videntes, etc. e tais. São promessas de aberturas de caminhos, trazer amor em sete dias, curar doenças, desfazer ou fazer mandingas (amarrações), onde nomes de oráculos diversos são citados para dar um ar de significância  mística. Mãe ou Pai Fulano: médium, vidente, sensitivo, paranormal…

Creio que há pessoas oferecendo o seu melhor e com nobres intenções, sérias e responsáveis em seus espaços holísticos, (quanto tempo não pensava neste termo!) consultórios e centros espiritualistas. Temos até uma rádio em São Paulo que tem uma programação diversificada voltada ao esoterismo e autoajuda.

Nada contra quem defenda sua subsistência com as suas práticas esotéricas, mas hoje mais que o comércio, o marketing de realizar o mais fácil e rápido via plano espiritual premia desavisados e desesperados com lapidações do orçamento pessoal ao se buscar soluções mágicas para desconfortos ou vaidades. Manchetes policiais lançam à vala comum do sensacionalismo e sem distinção o nome de religiões, terapias, consultas oraculares e congêneres como sendo todos picaretas e aproveitadores das misérias humanas.


Mas esoterismo não é religião. Conheço alguns sacerdotes de umbanda e candomblé que são excelentes tarólogos pelo simples fato de saberem separar sua fé pessoal das práticas com o Tarô. Como "psicologistas" que são, são exímios tarólogos por compreenderem onde cabe a prática terapêutica e onde cabe a oracular. O Tarô em si independe da fé de quem o procura, mas ser crédulo pode ser o primeiro passo para ser enganado.

Mas como não cair nas generalizações, no preconceito ou num conto do vigário? A desinformação ainda é grande, onde a postura ética ou supersticiosa mesmo que encoberta, sugere engodo e charlatanismo num rótulo quase permanente. Já presenciei pessoas que no âmago de seus tormentos foram da "tarja preta à água benta", do analista ao padre mesmo não confiando em ninguém, mas desejosos de respostas e soluções práticas e rápidas a qualquer custo...

Como separar o joio do trigo quando o tormento é grande? A resposta é simples, porém não fácil de ouvir e seguir: em caso de dúvidas e no desespero não faça as cegas e não busque afoitamente, a vítima poderá ser você! Nem tudo é carma, destino ou livre-arbítrio, pois tudo tem começo, meio e fim nesta vida, seja o prazer ou a dor como o próprio viver. E como estava escrito no anel do Rei: “Isto também passará”.

Comentários

  1. Eu percebo muito essa confusão entre religião, esoterismo e Tarot que você falou. Eu acredito que isso acontece porque Tarot e práticas esotéricas fogem da forma padrão que a gente lida com o espiritual. A gente meio que chega ao ponto de não dispor de palavras que possam descrever e definir essas coisas consideravelmente bem no discurso coloquial. Tudo fica muito confuso, enuviado, e eu acho que essas nuvens contribuem pra ideias erradas que as pessoas fazem, e pro povo oportunista pegar carona nisso.

    O que me consola é saber que 'as pessoas' têm ideia errada de tudo, rs.

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  2. @kosmoran,

    gosto muito do termo comprometimento, pois creio que põe os limites de como cada um usa - ou abusa do Tarô. E realmente quanto mais não souberem o que é, e o que pode ser o Tarô, mais certeza me dá que ainda poderão descobrir... ou se não, volta e meia pode render mais alguns artigos #risos.

    Abraços!

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  3. De fato, por tudo no mesmo prato, como uma salada, pode ter efeitos colaterais bombásticos.A pessoa podera atrair um problema maior que o que levou ao atendimento.E o profissional tem que ter essa ciencia, de orientar quanto a diferença entre profissao e religiao.Excelente texto!

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  4. @Senhordavida,

    sim, é uma indigestão que pode acometer tanto o freguês como o dono do restaurante. Obrigado pelo comentário.

    Abraços!

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  5. Há exatamente dez dias, dei uma palestra sobre Tarot na Casa da Cultura de Três Corações, cujo título foi: "Tarot: Oráculo e Terapia". Ao encerrar minhas explanações, a única questão que recebi foi: "... E onde fica Deus nisso?"

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  6. Bom, eu mesmo ainda sofor um pouco com toda essa questão e de tarô e religião. Vejam: há quase um ano iniciei meus estudos e digo a vocês que o que mais tem me atrapalhado não é o tarô em si, mas o embate que se trava em minha cabeça. Venho de família católica, e dentro da minha religião sou bastante praticante: missa aos domingos, comunhão, confissão, etc etc. Não parei meus estudos por causa da religião, mas mantenho isso em segredo, pois minha família jamais pode pensar que estudo tarô, concerteza seria "queimado"rsrsr. Bom, acho que consigo dosar bem religião e tarô, mas confesso que às vezes o conflito se apresenta novamente.

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  7. @emanueljsantos,

    muito delicado pois há duas questões:
    1ª) se admito existir D_us ou não.
    2ª) se admito existir, como é minha relação com Ele?

    E no Tarô certamente se fala de como está o homem. Creio que o Tarô tem este algo de divino pois fala de nossa alma, partícula divina (segundo minha crença) doada por Ele. Costumo dizer que a Divindade Cósmica não joga Tarô, mas embaralha as cartas (Destino). Porém temos que entender o conceito de leis como a da Ação e Reação (Carma) ativada positiva ou negativamente pelo poder de escolha (Livre-arbítrio).

    Forte abraço!

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  8. Flávio,

    o que me ajudou muito no início de jornada foi me libertar dos dogmas, mas nunca da minha .

    Em 8 anos de Tarô foi justamente com ele que fui encontrando entendimento metafísicos e minha alma segue em paz.
    Hoje posso dizer que participo e pratico algumas coisas, mas não faço parte de nada, como com nada tenho pactos.
    Não deixo de me questionar e evito a autoindulgência.

    Penso que você faz bem agindo como age, e crescerá sempre na divergência e convergência íntima, mas a aceitação maior tem que partir de você, daquilo que sua alma avalia como certo, pois só você pode e deve viver sua vida e suas escolhas com liberdade!

    Abraços!

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